Transição Socialista
   

A facada em Bolsonaro e a tática na eleição

Repudiamos o ataque a Bolsonaro porque repudiamos ações de terrorismo individual e isolado. Estas fortalecem os inimigos mais do que enfraquecem. Bolsonaro agora se vitimizará, exatamente como Lula no caso do suposto tiro à sua caravana.

Mas digamos em alto e bom som: Bolsonaro colhe o que planta! Afinal, quem afirmou que “o erro da ditadura foi torturar e não matar”? Quem disse que “Pinochet devia ter matado mais gente”? Quem defendeu que FHC devia ter sido torturado e fuzilado? Quem falou que Dilma deveria sair de qualquer jeito, “enfartada ou com câncer”? Quem falou um dia antes do atentado à faca que ia “fuzilar a petralhada”? Qual é o único presidenciável que nem mesmo se pronunciou sobre o assassinato de Marielle Franco?

Não fazemos coro com o discurso que condena a violência em si, abstratamente, em nome da paz, da democracia e do “humanismo”. A democracia em que vivemos é burguesa e está assentada exatamente na violência cotidiana da classe dominante contra a população trabalhadora. O sujeito desequilibrado que realizou o atentado contra Bolsonaro é visivelmente um violentado por esta sociedade doentia, a qual Bolsonaro luta para manter.

Aliás, todos os grandes políticos e principais candidatos à presidência repudiaram a “violência” evidentemente com medo de que ações assim se generalizem e que sejam (mais) perseguidos nas ruas.

Seja como for, a ação isolada fortalecerá Bolsonaro na boca do gol eleitoral. Todos os que o atacavam na campanha agora pararão de fazê-lo. É praticamente certo que ele irá ao segundo turno. Sua rejeição deve diminuir e sua possibilidade de ser eleito cresce. A eleição de Bolsonaro seria uma catástrofe, pois ele usaria o aparelho do Estado para fortalecer estúpidos grupos de extrema-direita que giram em torno de si. O risco do fascismo não é iminente, mas uma eleição de Bolsonaro daria um impulso a isso.

Qual deve ser a tática dos revolucionários diante desse risco de eleição? Dado que praticamente não existe esquerda hoje no Brasil — pois ela não soube se desvencilhar totalmente do PT desde que se iniciou a crise desse partido, em junho de 2013, e deixou a avenida aberta para a direita se construir —, dado que praticamente não existe esquerda no Brasil, temos de agir taticamente na eleição para impedir o risco Bolsonaro. Como fazê-lo?

Em primeiro lugar, votando por um partido revolucionário (Vera Lúcia, do PSTU, apesar das diferenças que temos com esse partido). Em segundo lugar, ampliando o ataque a Bolsonaro. Em vez de suspender as críticas, como fizeram Alckmin, Ciro e Boulos, deve-se afirmar, como fizemos acima, que Bolsonaro colhe o que planta. Em terceiro lugar, deve-se agir para que não haja um segundo turno favorável a Bolsonaro.

Segundo todas as pesquisas, o único candidato grande que perde para Bolsonaro é Fernando Haddad. Isso porque os lulistas, depois de Bolsonaro, são os com maior rejeição nacional. Depois de Dilma e Temer, fantoches desastrosos de Lula, a população aceitaria um novo fantoche? E mais: dado que Bolsonaro é a representação do antilulismo na eleição, o atentado é em parte atribuído, no imaginário popular, aos próprios petistas. Ou seja, se o atentado fortaleceu Bolsonaro, ao mesmo tempo enfraqueceu os petistas. Bolsonaro versus Haddad num segundo turno é o maior desastre possível!

Assim, a única tática correta dos revolucionários nestas eleições contra o risco Bolsonaro, consiste nos seguintes pontos:

1. Votar em Vera Lúcia e Hertz Dias do PSTU por um partido revolucionário dos trabalhadores;
2. Atacar Bolsonaro, atribuindo a ele a própria facada (e não diminuir críticas, permitindo solidariedade a ele);
3. Atacar Haddad, para impedir que Lula transfira seus votos a ele (que é o único que perde para Bolsonaro no segundo turno).

Reafirmamos: a única forma de impedir Bolsonaro é impedindo ao mesmo tempo os petistas. Se Bolsonaro for eleito, a responsabilidade será principalmente dos petistas e seus apoiadores, que criaram esse espantalho e lhe deram vida.