Transição Socialista
   

Dia 22 pode ser início da queda de Bolsonaro


Por trás deste dia 22 estão as possibilidades reais de se derrubar Jair Messias Bolsonaro. Não imediatamente, é claro, mas como consequência direta da não aprovação das reformas. Basta saber se as centrais querem isso ou não.

As maiores centrais sindicais de trabalhadores brasileiros estão chamando paralisações neste dia 22/03, contra a reforma da previdência. É justo (embora já tarde)!

Lembremos: as reformas da previdência e trabalhista (esta já aprovada) são as medidas centrais que a burguesia definiu a si mesma para aumentar o grau de exploração dos trabalhadores brasileiros desde 2015. Só assim ela se aproxima de um patamar satisfatório de lucro para superar sua crise. Os objetivos dessas reformas são: 1) quebrar qualquer força organizada da classe trabalhadora (fazendo o trabalhador negociar sozinho com a empresa, sem intermediação sindical); 2) dificultar o acesso de trabalhadores à justiça do trabalho; 3) facilitar demissões (para resultar numa redução geral de salários por meio de novas contratações); 4) ampliar horas extras e a jornada como um todo, e; 5) aumentar a concorrência no mercado de trabalho (tornando os trabalhadores por mais tempo dependentes deste, com a reforma da previdência).

Aliás, esta a última, a reforma da previdência, não é um problema de solvência do Estado ou de falta de dinheiro para sustentar parasitas rentistas nacionais e internacionais. Isso é consequência da possibilidade ou não de aumento da exploração dos trabalhadores (a boa e velha extração de mais-valia, a produção de “riqueza” em sua forma social capitalista, que depende dos 5 pontos acima).

Em torno dessas duas reformas se estruturam hoje todos os ataques que a burguesia faz para manter sua dominação. Elas são o eixo ordenador de dezenas de outras maldades sociais contra os trabalhadores. É por isso que, toda vez que parece não haver avanço nessas medidas nefastas, a burguesia entra em depressão e em fragilidade política (as bolsas caem, o dólar sobe…). Dilma caiu porque passou a ser (mais ainda!) odiada pela população ao anunciar essas reformas. Aliás, vale lembrar que ela é mãe dessas duas reformas. Seu vice, Temer, quis dar continuidade às medidas; conseguiu aprovar a reforma trabalhista, mas não a previdenciária. Agora cabe a Bolsonaro dar sequência a o que PT e MDB foram incapazes. 

A cada vez que um governo odiado cai, a maioria da população — carente de uma direção política correta — fica desnorteada e entra numa pequena lua de mel com o novo governo que assume (achando que ele melhorará a situação do país). Foi assim com Temer após a queda da Dilma, é assim com Bolsonaro após varrer o (vai tarde!) PT. Mas é justamente essa pequena lua de mel que dá chances de aprovação dos pacotes de maldade. Que falta faz um direção política honesta para a revolta popular!

Conseguirá Bolsonaro aprovar a reforma da previdência? Quanto tempo demorará a lua de mel da maioria da população com ele? Ao que parece, já começa a naufragar, frente às estupidezas que o “Messias” insiste em proferir, sem dar descanso ao senso de razoabilidade e decoro da própria burguesia. Bolsonaro, por favor, nos ajude ainda mais: siga agindo dessa forma, siga ouvindo seus filhos geniais; dê mais corda à Damares, ao Vélez Rodriguez e ao terraplanista Ernesto Araújo! Assim em pouco tempo seu governo paralisará de vez e as reformas não passam! 

Infelizmente, hoje, as chances da reforma da previdência não passar são maiores graças à burrice do governo do que à ação dos sindicatos… Será assim nesse dia 22?

Seja como for, na possibilidade de não aprovação está a chave da queda do governo. Se Bolsonaro não aprovar, selará sua falência. Será a ascensão e queda do mito em poucos meses. Bolsonaro, já ciente do risco e em preocupação crescente, segue a cartilha dos governos anteriores e entrega cada vez mais seu governo ao fisiologismo barato (“toma lá dá cá”). Ao que parece, se cair Vélez Rodriguez, Ministro da Educação, Bolsonaro o substituirá por Mendonça Filho, do DEM (partido que, no governo Bolsonaro, é uma espécie de cópia do MDB nos governos petistas). Mendonça Filho é o ex-ministro da Educação de Temer, o que prova que tudo muda para continuar igual (até que a classe trabalhadora se canse e mande o mundo pelos ares).

Alguém acha que exageramos ao falar que o presidente cairá se não passarem as reformas? Ora, basta olhar o resultado da produção industrial brasileira, o núcleo duro (real e racional) da economia do país. De acordo com dados do IBGE da última semana, a queda foi de 0,8% no mês de janeiro (em relação a dezembro de 2018), e de surpreendentes 2,6% em relação a janeiro do ano passado. 13 dos 26 ramos industriais caíram. Dá-se destaque ao setor estratégico de “Bens de capital”, o articulador da produção industrial como um todo. Sua queda foi de 3% no mês e de incríveis 7,7% em um ano (determinada, sobretudo, pela queda das exportações de carros para a Argentina). Os economistas já esperam para a esta semana terríveis revisões negativas na prévia de PIB do IBC-BR (Índice do Banco Central).

O Brasil caminha para a ingovernabilidade porque a burguesia está incapaz de explorar a classe trabalhadora num nível satisfatório. Ou seja: ela está incapaz de produzir riqueza (mais-valia) num patamar que favoreça sua expansão e, assim, favoreça minimamente a manutenção da sua ordem econômica e social (a manutenção do seu Estado repressor, a manutenção de políticas localizadas de controle social via assistência, a manutenção de serviços públicos etc.). 

É nessas condições que o pateta Bolsonaro e sua milícia de aventureiros e larápios tentará passar o velho ataque burguês que petistas e emedebistas não conseguiram. Quais as chances de conseguí-lo? Adiantamos: esse governo frágil (o mais frágil das últimas décadas), repleto de contradições internas (das mais estapafúrdias), só conseguirá aprovar as reformas — e assim se manter um pouco mais no poder — se as centrais sindicais quiserem.

Elas não quiseram derrubar Temer no seu momento de maior fraqueza (crise com a JBS), simplesmente porque os petistas (que dirigem a principal central, articuladora das demais) não quiseram. Eles acharam melhor deixar Temer fazer as reformas em 2017/18 para o Lula voltar na eleição de 2018 e não ter de fazer tais reformas. Agora pensam igual, mas com Bolsonaro. O PT e os seus estão muito comprometidos com a ordem burguesa para serem realmente contra as reformas. Entre uma greve real de trabalhadores e o apoio a Bolsonaro, não titubearão pelo segundo.

Mas este governo é um castelo de cartas! Se as centrais movimentarem a classe trabalhadora um mínimo que seja, algo pode sair do controle e a base política deste governo (na sociedade e no parlamento) ser subtraída da noite para o dia. A própria burguesia já aventa essa possibilidade e insufla a figura do vice, Hamilton Mourão. Não passa um dia sem que este, todo garboso, se aproveite — com ampla repercussão na mídia — da burrice do presidente.

Enfim, diferentemente do que a base petista falava (só a base, pois a direção nunca acreditou), Bolsonaro não representa um regime mais autoritário. É, na verdade, o governo mais frágil da burguesia nas últimas décadas, e aquele que mais facilmente revela as podridões e veleidades da própria burguesia — características que fazem parte de todos os seus governos, mas em geral ficam escondidas. A burguesia está nu, frente ao proletariado, frente à crise social crescente no Brasil. Condições para que as coisas saiam minimamente do controle — no bom sentido — não faltam. Falta apenas um empurrão nas centrais. Esse empurrão é dever de todo revolucionário hoje, pois, infelizmente, os únicos aparatos capazes de mover o conjunto da classe trabalhadora brasileira são ainda os sindicatos burocratizados. 

Não há caminho agora que não passe por pressionar e pressionar a burocracia sindical neste dia 22. Por isso: 

Às ruas, às ruas, às ruas! Às fábricas às fábricas, às fábricas! 
Parar o Brasil no dia 22/03!
Não à reforma da previdência! Revogação da reforma trabalhista!