Transição Socialista
   

Entregador sofre agressão covarde da polícia

Um entregador enviou ao Corneta um relato de uma agressão covarde que sofreu da polícia no dia 2, em São Paulo, justamente no dia seguinte da paralisacão da categoria. Já não basta toda a exploracão, o pagamento miserável sem nenhum direito trabalhista, os companheiros que passam o dia na rua ainda são obrigados a aguentar enchecão de saco e até violência da polícia! Um absurdo!

“O que aconteceu foi o seguinte. Era umas cinco horas da tarde, e nesse momento o aplicativo não toca muito, tendeu, então é um momento que os entregadores têm até pra descansar, e tava uma galera toda reunida num pico aqui no Itaim que geralmente fica com um monte de entregadores. Carregando o celular, conversando. E eu aproveitei esse momento pra poder fazer os meus relatórios da faculdade. E aí os caras, a polícia encostou, falando que tinha recebido um chamado, que tinha gente fumando maconha onde a gente tava, e isso não aconteceu na verdade. Até teve meninos que fumaram, mas não foi ali, eles saem pra outro lugar pra poder fumar.

Eles chegaram, quiseram saber o que que tava acontecendo e tal, abordaram alguns dos meninos, eu continuei fazendo os meus relatórios da faculdade, e aí um dos policiais que tava no meio lá viu que eu não tava dando muita atencão, chegou no meu lado, e falou ´e aí viadinho, qual é o seu nome?´. Aí eu virei pra ele e falei ´o quê??´. Aí ele perguntou ´qual é o seu nome?´, aí eu ´cê me chamou do quê?´. Aí ele falou ´de velhinho. Qual é o seu nome?´. Aí eu respondi e ele perguntou ´cê faz o que?´. Aí eu mostrei a bag pra ele. Ele falou ´você faz entrega de aplicativo?´, eu respondi que sim, e aí ele falou ´ó o seguinte, sem gracinha viu. Sem palhacada´. Eu falei ´cê tá vendo alguém fazendo gracinha aqui, cê tá vendo algum palhaco aqui?´.

E aí ele saiu de perto de mim e depois me chamou de canto. E aí quando eu fui lá ele falou ´ó mão pra trás que eu vou te revistar´. Aí eu falei ´tudo bem mas eu gostaria de saber o porquê. Qual que é o perigo que eu tô te oferecendo?´. Ele falou ´porque eu tô mandando, porque eu sou policial e tenho autoridade pra isso, vai mão pra trás que eu vou te revistar´. E aí eu virei pra ele e falei ´é, cê tem autoridade aqui, com a gente que é da periferia né. No Morumbi você não pode fazer esse tipo de coisa, né´. Aí ele ficou, ficou puto. Comecou a gritar ¨mão pra trás, não sei o que, bota a mão na cabeca´, e comecou a revista.

Só que prova que ele não tava nem um pouco na intencão de me revistar mesmo, que ele nem viu que eu tava com meu celular no bolso da blusa, blusa canguru, sabe?, podia ter uma arma ali que ele não ia ter visto. A intencão dele foi me bater. Tanto que o fez. Quando comecou a revistar, ele me deu um gancho. Tava atrás de mim, então me deu um gancho, de baixo pra cima assim, querendo pegar no meu queixo, mas acabou pegando na minha garganta, no meu pescoco. E nessa hora eu comecei a gritar, falar um monte pra ele, falar ´cê tá me batendo porque se eu não tô fazendo nada? Cê já me abordou´ e tal. E aí ele continuou gritando, mandando eu me virar, e eu falei ´cê não pode me bater, eu não tô fazendo nada demais´ tal. E aí, eu virei de novo, ele continuou a revista, e aí me algemou dizendo que ia me levar pra delegacia por desacato a autoridade.

E aí na hora que eu senti a algema no meu pulso eu não me contive. Não quis aceitar aquilo. E aí não quis deixar ele me algemar. Aí veio os outros policiais, me enforcaram e tal, aquela coisa toda, e ajudaram ele a me algemar e colocar dentro da viatura. Entendeu? Aí, depois disso foi só a parte burocrática, aquela coisa toda de polícia.

Bem tenso, foi muito covarde. Sabe. O único motivo que deu esse reboliço todo foi eu não aceitar ser humilhado por eles, entendeu? E aí deu toda essa merda, os cara me levaram pro DP, algemaram, isso e aquilo.

Foi uma sacanagem extrema assim. Pra cê ter uma ideia eu tava sentado preenchendo meus documento da faculdade, velho. E esperando o aplicativo tocar preu poder comecar a trabalhar, entendeu. E os cara já atrasaram um lado assim que nem eles fazem ideia do quanto que eles me atrasaram.”