Transição Socialista
   

Entregadores sofrem repressão e marcam nova paralisação

Em manifestação de entregadores de aplicativo em São Paulo realizada no dia 14, a Polícia Militar agiu de forma truculenta contra os manifestantes. Um entregador que participava do ato sofreu agressões e foi enforcado por policiais. Em relato ao Jornal Ponte, o entregador ainda relatou ter levado jato de spray de pimenta no rosto e choques na nuca.

Ela jogou spray, fechou a porta. Retornou com a lanterna de choque, eu permaneci de costas para não tirar foto minha, e ficou dando choque por um bom tempo. E ficou falando que ia acabar com minha vida, que ia apresentar uma faca como se fosse minha. Nesse momento, que você não sabe qual vai ser o seu destino, que está literalmente na mão dela, é a pior parte de tudo. É a pessoa que escolhe se acaba com a sua vida ou não.

Depois dessa abordagem repressiva e violenta, o companheiro ainda foi algemado e detido pela polícia.

Um entregador também enviou ao Corneta um relato sobre seu balanço  sobre a última paralisação e as perspectivas para a próxima, marcada para o dia 25 desse mês. O companheiro também abordou uma mensagem que está sendo enviada pela IFood para os trabalhadores que estão na lista de esperada, que costuma demorar de 6 meses a 1 ano para liberar o registro dos entregadores no aplicativo.

Tem muita gente recebendo esse informativo aí via WhatsApp, que o Ifood mandou para os entregadores e falando que a espera vai tá maior, que a gente tem que ter paciência, que tem muito entregador na rua. Eu leio isso como uma resposta na verdade a paralisação, entendeu, batendo novamente na tecla que eu citei antes da gente parar, que as minhas expectativas para depois da paralisação não eram muito altas, por conta justamente da crise que a gente vem sofrendo em função de vários fatores e o principal em saber que a quarentena, então tem muita gente sem emprego e muita gente recorrendo a esses tipos de recursos para poder levantar uma grana. Então os aplicativos, tem bastante gente sim na rua trabalhando com os aplicativos, Imagino que o Uber também deve estar com bastante, uma alta demanda aí de motorista e etc.

Então assim, convém para eles, entendeu, então eu vejo isso aí, a minha leitura, eu posso estar errado, mas a minha leitura é que meu, tem um monte aí na fila querendo trabalhar e quem não quiser trabalhar vai ficar sem. E aí, e nessa daí, acaba rolando a exploração do trabalho, eu vejo como, é isso, na verdade exploração mesmo, e os caras tão querendo fazer uma nova paralisação né, mas vamos ver vamos, ver no que vai dar, porque o que dá pra entender dessas empresas é que eles se aproveitam da situação do Trabalhador para poder ganhar em cima da gente, entendeu, Então se tá todo mundo desesperado por emprego, todo mundo precisando de qualquer centavo para poder sobreviver, então “nós” vamos usar disso para poder ganhar em cima, entendeu, simples assim.

A última paralisação não chegou a parar totalmente os aplicativos, mas sem dúvidas gerou um baita prejuízo para essas empresas exploradoras. Foi um primeiro passo, um passo muito importante para organizar os trabalhadores contra a exploração desses aplicativos.

Precisamos fortalecer a paralisação do dia 25. Ela precisa ser maior do que a última. Precisamos sair dessas paralisações marcando assembleias para discutir e decidir juntos e nacionalmente os próximos passos pra desenvolver isso. Isso tá nas nossas mãos.