Transição Socialista
   

O espectro do desemprego ronda o Brasil

No começo desse mês os entregadores de aplicativo se organizaram e fizeram um dia de paralisação, que teve muita adesão da rapaziada e causou prejuízo nas empresas de entregas, que pagam uma mixaria, sem garantir nenhum direito trabalhista. Mas ficamos sabendo que elas fizeram uma manobra nesse dia: pegaram a lista de espera, do pessoal que estava aguardando aprovação pra poder trabalhar no aplicativo, e aprovaram um monte de gente às pressas.

Obviamente eles fizeram isso pra tentar desmobilizar os entregadores que estavam parados. É como se o patrão dissesse: quer fazer greve? Fica à vontade. Você não significa nada pra minha empresa, já tenho um monte aqui esperando pra trabalhar no seu lugar. Isso é uma situação que os trabalhadores de todas as categorias estão sujeitos, ou já sentiram na própria pele.

Muitos companheiros ficam receosos de se mobilizar, enfrentar o patrão ou mesmo denunciar os abusos dentro da empresa. E com toda razão, porque o risco de ser perseguido ou ser mandado embora é grande! Por isso mesmo o Corneta publica as denúncias anonimamente, pra proteger os companheiros de cada fábrica. Cada um de nós que está empregado sabe que lá fora tem mais três, quatro passando necessidade e pronto pra assumir nosso trabalho, mesmo se for ganhando um salário menor, e com o rabo entre as pernas.

O patrão usa o exército de desempregados pra pressionar seus funcionários a aceitar tudo calado. Usa o nosso desespero pra aumentar ainda mais a exploração contra a gente. Pra eles, é muito importante que sempre tenha um número razoável de trabalhadores desempregados, pra manter essa ameaça constante de perder o emprego. Na verdade, sempre foi assim, desde o começo do capitalismo no mundo. Muito cedo os capitalistas perceberam que precisavam deste exército de desempregados, e por isso sempre mantiveram uma parte da classe trabalhadora nessa situação.

Por isso que no capitalismo é impossível existir pleno emprego. O desemprego é uma peça essencial desse sistema econômico. O patrão precisa que seu irmão esteja no calvário do desemprego, pra garantir que você, que está empregado, aceite trabalhar cada vez mais e receber cada vez menos. E a coisa fica ainda pior nos períodos de crise, quando o número de desempregados vai lá nas alturas. O Corneta noticiou na semana passada que hoje mais da metade dos trabalhadores brasileiros está desocupada. Não é coincidência que ao mesmo tempo milhões de trabalhadores de diversas categorias estejam baixando a cabeça e aceitando redução de salário, suspensão de contrato, etc.

Por causa de disso tudo, a real é que não dá pra cada categoria, em cada empresa, só se preocupar em garantir o seu, e dane-se o resto. Se for assim, o patrão sempre estará em vantagem em toda negociação, porque ele tem uma multidão de desempregados na manga, pra te fazer aceitar o que ele quiser. Os empregados têm que se mobilizar pra lutar ao lado dos desempregados. Precisamos exigir não só o reajuste do nosso salário, mas também a criação de emprego pra quem não tem, através de planos de obras públicas, pra construir por exemplo hospitais, estradas, escolas, e o que for necessário pro povo. Só assim, unindo nossas pautas e nossa luta, a gente consegue ter mais força e mais poder de barganha que o patrão. O patrão quer dividir os trabalhadores, e colocar uns contra os outros, desempregados contra empregados. A gente precisa juntar todo mundo, porque juntos somos mais numerosos e mais poderosos que eles!