Não é hora de vacilar diante do lulismo!

Os companheiros do PSTU de Florianópolis anunciaram ontem que irão compor os atos “Fora Temer” (veja seu texto aqui). Afirmam os companheiros que agora os atos teriam mudado de eixo ou “convocatória”, deixando de ser atos “contra o golpe” ou pelo “Volta Dilma”, passando a ser atos só pelo “Fora Temer”. Ora, qualquer um que veja esses atos sabe que, neste contexto, isso não é verdade. E para além do que os atos possam falar de si mesmos, eles necessariamente servem para contradições e vontades muito maiores, que lhes ultrapassam nesta conjuntura. Por mais que possam ser apenas pelo “Fora Temer”, os atuais atos são para recriar o lulismo para 2018.

Essa postura está sendo adotada pelo PSTU por pressão da esquerda pequena-burguesia, sobretudo das universidades, e apenas enfraquece neste momento o polo que contém em si o futuro, na exata medida em que faz esse importante partido se aproximar do peso morto do lulismo. A que lugar levará o precedente aberto pelos companheiros do PSTU-SC? Puxará todo o partido para as teias do lulismo?

Os companheiros falam que as massas estão defendendo o “Fora Temer”. Isso não é verdade. Os companheiros estão iludidos com a própria palavra de ordem. O proletariado independente, e sobretudo a classe operária, não estão defendendo a queda do governo Temer. A classe operária do ABC, por exemplo, está neste momento xingando o sindicato dos metalúrgicos porque, em vez de lutar em defesa dos seus empregos, os está tentando enganar para levar a passeatas contra Temer. Quem está defendendo Fora Temer neste momento é a pequena-burguesia e parte da massa de manobra de movimentos sindicais, como MTST e demais braços do PT. Não devemos nos impressionar!

Por que o proletariado não está defendendo “Fora Temer”? Será que é porque ele gosta desse governo? Certamente não. Mas entre não gostar de um governo e querer logo a sua queda há uma boa distância. Não se deve pedir a queda de todo governo a todo momento.

Em primeiro lugar, o proletariado não está defendendo a queda de Temer porque se sente, em certa medida, responsável por esse governo. As massas proletárias não são ignorantes, elas sabiam desde o início que derrubando a Dilma – o que era seu desejo – entraria Temer. As massas tinham noção das consequências e de suas ações, e queriam, antes de tudo, dar o troco contra os anos de falatório, traição e repressão do PT. Por isso, achar que as massas querem já a queda de um governo que elas próprias ajudaram a por é uma certa forma de elitismo, pois é tratá-las como ignorantes.

Em segundo lugar, e o mais importante, o proletariado não está defendendo a queda do governo Temer porque está acuado pela crise econômica, sobretudo com o avanço rápido das demissões e da inflação. A maioria da população, sobretudo sem a perspectiva real de novas eleições, parece temer que com a queda deste governo a situação possa piorar ainda mais, e a economia se desagregar mais rapidamente. As pesquisas mostram o alto índice de indecisão em relação a este novo governo. A massa ainda está em compasso de espera para ver o que ele será.

Uma das balizas de uma palavra de ordem correta é o ânimo das massas. A outra é a sua relevância estrutural e estratégica para a revolução. Esses dois elementos tornam uma palavra de ordem “justa” (ou seja, que se ajusta, como uma luva, à situação concreta). Muitas vezes é preciso levantar palavras de ordem dissociadas das massas, para fazê-las avançar. Todavia, uma vez lançada a palavra de ordem, é preciso saber ouvir as massas. Os companheiros do PSTU defendem “Fora Temer” há cerca de um ano, mas esse grito não tem sido acompanhado pelas massas e só tem enredado os companheiros em contradições maiores, tornando-os presa fácil do lulismo.

Qual a gênese da palavra de ordem “Fora Temer” na agitação do PSTU?

A gênese dessa palavra de ordem no partido dos companheiros revela bem o seu caráter hoje. O “Fora Temer” é um resultado natural e necessário do “Fora Todos”. Mas o que era o “Fora Todos”? Na verdade, era só uma forma de não assumir com coragem o “Fora Dilma”; era uma forma de aparecerem como radicais diante das massas, mas ao mesmo tempo tirar o foco da Dilma; um pouco lavar as mãos diante da pressão da “esquerda”.

Porque os companheiros não assumiram o “Fora Dilma” em 2015 fica muito evidente agora, após a saída de um grande número de militantes (que formaram o MAIS). Esses militantes eram os mais contrários ao “Fora Dilma” e ao impeachment e, não à toa, hoje seguem o PSOL e MTST pra serem linha auxiliar do lulismo.

O “Fora Todos” era um esquerdismo que escondia um centrismo (um medo de se contrapor abertamente ao lulismo e se afastar demais da “esquerda”). Da mesma forma, o “Fora Temer” é hoje um esquerdismo (pois dissociado dos ânimos das massas), que capitula a uma pressão petista. São duas faces de uma mesma moeda centrista.

Acertaram os que defenderam, seguindo a maioria da população, o “Fora Dilma”. Isso não comprometeu os que o defenderam necessariamente com nenhuma outra palavra de ordem posterior. É preciso entender o timing das palavras de ordem. Foi taticamente correto defender, sem medo, o “Fora Dilma” e o impeachment, pois não eram golpes de Estado e enfraqueciam materialmente o aparato burocrático da CUT e demais, que controlam a classe operária. Também o “Fora Temer” tem o seu timing, e depende de um ascenso e unificação das lutas da classe trabalhadora contra este novo governo burguês.

Companheiros, não é hora de vacilar. Não é hora de falar que o impeachment foi “trocar seis por meia dúzia”; é hora de abrir espaço para o futuro, junto com as massas, sobretudo com a classe operária. Esse futuro se abrirá e é além do PT. Precisamos ter coragem e frieza pra olhar as coisas, e não nos deixar impressionar. A melhor postura, hoje, é esclarecer à pequena-burguesia e à juventude revoltada o porquê de não irem aos atos, para não serem usadas pelo lulismo. Às vezes uma postura aparentemente passiva (não ir) é mais ativa e contém em si os passos do futuro.

Adiante, na abertura da via dos revolucionários!

Histórico
07.09.2016