MOVIMENTO NEGAÇÃO DA NEGAÇÃO

 
BUSCA OK
~~!
MNN

“A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua própria negação. É a negação da negação.”

–Marx, O capital. Livro I - Cap. XXIV, 1867.

TS BRASIL VER CAPA DA EDIÇÃO #121

ELEIÇÕES 2010

Campanhas de Dilma e Serra: crise da dominação burguesa no Brasil

Rodrigo Brancher

29/08/2010
Campanhas de Dilma e Serra: crise da dominação burguesa no Brasil

 

Conforme se aproxima o dia do pleito que elegerá o próximo presidente do país, o cenário parece estar cada vez mais definido. Segundo a última pesquisa do Datafolha, a candidata do PT, Dilma Rousseff, atingiu 41% das intenções de voto, abrindo uma vantagem de 8 pontos percentuais sobre José Serra do PSDB, que marcou 33%. Com estes números, aparece a possibilidade de Dilma levar a eleição logo no primeiro turno. Há alguns meses, no entanto, a candidata do PT registrava nas pesquisas 29% das intenções de voto, enquanto José Serra ostentava números próximos de 40%.
A princípio pode-se pensar que essa inversão total da situação deve-se tão somente à popularidade recorde de Lula e à sua participação integral na campanha de Dilma. No entanto, se olharmos para os valores arrecadados por cada uma das campanhas, veremos claramente outro fator determinante no processo dessa inversão: enquanto Dilma Rousseff arrecadou cerca de R$ 12 milhões para financiar suas atividades de campanha, José Serra recebeu investimentos de menos de R$ 4 milhões, montante muito próximo aos cerca de R$ 3,7 milhões arrecadados por Geraldo Alckmin para a campanha do PSDB ao governo do estado de São Paulo.
Isso significa que, objetivamente, os setores empresariais, burgueses – que são os principais financiadores de todas as campanhas – já abandonaram completamente a candidatura de Serra, mostrando claramente que nem mesmo a burguesia acredita mais na viabilidade do projeto democrático-burguês do PSDB, que se mostrou completamente incapaz nos dois governos de FHC.
A burguesia, hoje, é unha e carne com o PT e o governo Lula, pois percebe que existe um esgotamento absoluto de seu projeto político democrático-burguês e de sua correspondente forma de dominação. Lula, com sua forma de governo semi-bonapartista a ser continuada por Dilma a partir de outubro, é a última cartada da burguesia para manter por mais algum período a sua dominação de classe, bloqueando a movimentação e o levante da classe operária brasileira.
Para lutar contra este processo, mais do que nunca é fundamental erguer uma bandeira clara e precisa, capaz de orientar a classe operária em sua luta defensiva contra o avanço do bonapartismo, sobretudo para o momento em que os efeitos da crise econômica mundial – que já se manifestam novamente de forma mais violenta nos EUA e na China – chegarem ao Brasil de forma mais aguda, destruindo milhões de empregos e degradando ainda mais o nível de vida dos trabalhadores. Essa bandeira não é outra senão a do PROGRAMA ÚNICO, a defesa das escalas móveis e do Programa de Transição!