Jaques Wagner (PT), governador da Bahia, pediu auxílio do governo federal para superar os "momentos de intranquilidade" e "desordem" por que passa o estado, supostamente, diante da greve dos policiais militares.
A Polícia Militar da Bahia está em greve contra o governo de Wagner e reivindica a reintegração dos demitidos políticos de 2001 (que participaram de greve histórica), incorporação de gratificações, pagamento de adicional de periculosidade, reajuste de 17,28% retroativo a abril de 2007 e revisão no valor do auxílio de alimentação. Mostram assim que os policiais militares, apesar de comporem a força repressiva do Estado, também são membros da classe trabalhadora e podem solidarizar-se à luta geral da classe trabalhadora.
A categoria se encontra sob forte ataque de toda a imprensa nacional. Neste sábado, críticas à greve estamparam a capa dos principais jornais do país. São acusados de, irresponsavelmente, por meio de "métodos condenáveis" (segundo J. Wagner), ameaçar a sociedade baiana.
A hipocrisia do governo do petista Jaques Wagner beira o absurdo. Conforme notícia divulgada pelo blogueiro e colunista da Folha de São Paulo, Josias de Souza, Wagner apoiou a greve da categoria em 2001, quando era deputado e a movimentação se contrapunha a Cesar Borges, então seu desafeto político. Na época, graças a Wagner, o Sindicato dos Químicos e Petroleiros da Bahia – dirigido então por José Sérgio Gabrielli – apoiou a luta dos policiais e cedeu sua estrutura.
No mesmo sentido, Lula, em campanha eleitoral que antecedeu seu primeiro mandato, ao passar pela Bahia defendeu a greve dos policiais nos seguintes termos: “Acho que, no caso da Bahia, o próprio governo articulou os chamados arrastões para criar pânico na sociedade. O que o governo tentou vender? A impressão que passava era de que, se não houvesse policial na rua, todo o baiano era bandido. Não é verdade.”
Lula desvendava os "métodos condenáveis" que, dez anos depois, seus próprios companheiros de partido usariam contra a classe trabalhadora. Ao que tudo indica, esse será um dos saldos históricos dos anos de petismo à frente do Estado brasileiro: uso crescente e indiscriminado das forças militares para a solução de conflitos civis, ou seja, para garantir ataques à classe trabalhadora.
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