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RS: BNDES e prefeitura de São Leopoldo beneficiam multinacional

Publicado em 07.02.2010
por Conselho de Redação

Mais uma empresa estrangeira está investindo no Brasil, em busca de financiamentos e subsídios governamentais, salários rebaixados e extensas jornadas de trabalho. A empresa de semicondutores HT Micron se instalará em São Leopoldo, no Vale dos Sinos, na região metropolitana de Porto Alegre.

A fábrica sul-coreana receberá um financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A expectativa é de um investimento de US$ 200 milhões na nova unidade, que se juntará a outras 43 empresas do setor instaladas no Pólo de Informática do Município, que integra o Tecnosinos, dentro do complexo da Unisinos. É o caso da SAP, Softtek e, mais recentemente, da indiana HCL. Além da ajuda do BNDES, a Prefeitura de São Leopoldo garantiu isenção de ISS por 5 anos, disponibilidade de energia, água tratada (utilizada no processo de lixamento), tratamento dos efluentes e terraplenagem.

A HT Micron é uma gigante na área de informática, responsável por 70% dos chips produzidos no mercado mundial. Desses, 20% serão fabricados na unidade de São Leopoldo. A fábrica será a única da América Latina no ramo de encapsulamento e testes de semicondutores.

A fábrica da HT Micron criará 1.300 empregos, o que tem gerado uma certa euforia. No entanto, não há razões para tamanho alarde. O Estado do Rio Grande do Sul está muito longe de superar as nefastas conseqüências da crise econômica mundial. Afinal, somente nos oito primeiros meses de 2009, um único setor – o setor calçadista – demitiu 13.400 trabalhadores. Nos últimos três anos, 42.650 sapateiros perderam seus empregos. Portanto, os 1.300 empregos criados pela HT Micron representam muito pouco se comparados com os demitidos recentemente no setor de calçados. Por trás da euforia, o que ocorre é que grande parte dos trabalhadores da região ainda sofre com o desemprego e a miséria.

A pergunta inevitável é se não haveria, afinal, formas mais racionais de criação de empregos. Não seria gerado um número muito superior de empregos do que esses 1.300 da HT Micron, caso os US$ 200 milhões fossem investidos em frentes públicas de trabalho para, por exemplo, construir casas ou redes de saneamento básico? Além disso, por meio das frentes públicas, não seriam atendidas imediatamente as necessidades mais elementares da população mais pobre?

Nesse sentido, poderíamos perguntar ainda a quem realmente servem esses vultosos recursos concedidos pelo governo à HT Micron? Seriam os trabalhadores os principais beneficiados? Ou, de maneira geral, os financiamentos governamentais, assim como os incentivos fiscais, não representariam muito mais a transferência de recursos públicos para o grande capital, beneficiando, sobretudo, grandes empresas que monopolizam o mercado mundial?

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