Mais uma empresa estrangeira está investindo no Brasil, em
busca de financiamentos e subsídios governamentais, salários rebaixados e
extensas jornadas de trabalho. A empresa de semicondutores HT Micron se
instalará em São Leopoldo, no Vale dos Sinos, na região metropolitana de Porto
Alegre.
A fábrica sul-coreana receberá um financiamento do Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A expectativa é de um investimento
de US$ 200 milhões na nova unidade, que se juntará a outras 43 empresas do
setor instaladas no Pólo de Informática do Município, que integra o Tecnosinos,
dentro do complexo da Unisinos. É o caso da SAP, Softtek e, mais recentemente,
da indiana HCL. Além da ajuda do BNDES, a Prefeitura de São Leopoldo garantiu
isenção de ISS por 5 anos, disponibilidade de energia, água tratada (utilizada
no processo de lixamento), tratamento dos efluentes e terraplenagem.
A HT Micron é uma gigante na área de informática, responsável por 70% dos chips
produzidos no mercado mundial. Desses, 20% serão fabricados na unidade de São
Leopoldo. A fábrica será a única da América Latina no ramo de encapsulamento e
testes de semicondutores.
A fábrica da HT Micron criará 1.300 empregos, o que tem
gerado uma certa euforia. No entanto, não há razões para tamanho alarde. O
Estado do Rio Grande do Sul está muito longe de superar as nefastas conseqüências
da crise econômica mundial. Afinal, somente nos oito primeiros meses de 2009,
um único setor – o setor calçadista – demitiu 13.400 trabalhadores. Nos últimos
três anos, 42.650 sapateiros perderam seus empregos. Portanto, os 1.300
empregos criados pela HT Micron representam muito pouco se comparados com os
demitidos recentemente no setor de calçados. Por trás da euforia, o que ocorre
é que grande parte dos trabalhadores da região ainda sofre com o desemprego e a
miséria.
A pergunta inevitável é se não haveria, afinal, formas mais racionais de
criação de empregos. Não seria gerado um número muito superior de empregos do
que esses 1.300 da HT Micron, caso os US$ 200 milhões fossem investidos em
frentes públicas de trabalho para, por exemplo, construir casas ou redes de
saneamento básico? Além disso, por meio das frentes públicas, não seriam
atendidas imediatamente as necessidades mais elementares da população mais
pobre?
Nesse sentido, poderíamos perguntar ainda a quem realmente
servem esses vultosos recursos concedidos pelo governo à HT Micron? Seriam os
trabalhadores os principais beneficiados? Ou, de maneira geral, os
financiamentos governamentais, assim como os incentivos fiscais, não
representariam muito mais a transferência de recursos públicos para o grande
capital, beneficiando, sobretudo, grandes empresas que monopolizam o mercado
mundial?
fale!
topo
volte