Transição Socialista
   

Tentativa de soltar Lula revela caráter golpista do PT

Como sempre, tudo o que o PT fala revela o contrário do que faz. Seu artifício é velho: esconder o próprio crime acusando os adversários de fazer o que ele mesmo faz. A melhor defesa é o ataque.

Um desembargador petista, fazendo plantão num final de semana, em prévio acordo com três parlamentares petistas — todos perseguidos pela Lava-Jato — usa de sua monocrática caneta para atropelar a decisão de ao menos um juiz de primeira instância, três de segunda, um de terceira, e a maioria do STF. Alguém acha isso correto? O argumento: haveria um novo elemento para justificar o habeas corpus: o fato de Lula ser candidato; a ideia de que a ausência de Lula enfraquece o pleito eleitoral e a democracia. Alguém consegue levar isso a sério?

Somente pessoas limitadas podem achar que a maioria da população viu essa trapalhada como algo que favorece o PT. Seja como for, o ato comprovou mais uma vez o DNA oportunista e golpista do PT, que não perde ocasião para desestabilizar a ordem democrático-burguesa em nome de seu grupo corrupto-burguês.

Ou alguém se esquece de que após a votação do impeachment da Dilma na câmara, o vice-presidente desse mesmo órgão, aproveitando da ausência do presidente, anulou repentinamente o impeachment com uma só canetada? Era Waldir Maranhão, do corrupto PP, depois investigado por possivelmente ganhar dinheiro para fazer esse ato espúrio (e alguém desconfia que o desembargador Rogério Favreto tenha ganhado os seus para a pataquada do final de semana?).

O PT, quando falou em ética, sempre escondeu seu desejo privado de roubar o Estado junto com sua lumpemburguesia. Quando falou em enriquecer a maioria com distribuição de renda, sempre empobreceu a maioria transferindo dinheiro à burguesia. Quando falou em golpe, escondeu que colocou Temer na vice-presidência. Quando atacou Meirelles, escondeu que Lula fez o possível para torná-lo ministro de Dilma pouco antes do impeachment. Quando atacou as medidas de Temer e Meirelles, escondeu que são as mesmas iniciadas por Joaquim Levy, ministro de Dilma. O PT é uma farsa completa, só defendida por quem, após anos de comodidade sob as asas do PT, desaprendeu a pensar.

É claro que a democracia burguesa é limitada e de classe, mas ignorar que ela pode piorar ainda mais quando todas as leis são suspensas em nome da arbitrariedade privada na luta pelo poder — como as ações do PT — é uma estupidez.

Parte da “esquerda” que não se diz petista segue em seu discurso envergonhado: “não sou petista, mas…”; “Lula não é meu candidato, mas…”. Apesar de falar que não, essa “esquerda” é sim petista e seu candidato é sim Lula. O resto é máscara para dissimular sua verdadeira alma. Ou alguém acha que estando solto Lula o candidato dessa “esquerda” teria algum destaque? Não teria, pois defende, enquanto paródia, as mesmas charlatanices que Lula sempre defendeu.

Em vez de capitular uma vez mais ao PT (ou se calar), a esquerda precisa apresentar outro caminho. Do contrário, mais uma vez, a direita o fará. O único candidato presidencial que apareceu de forma coerente diante da população nessa escaramuça do desembargador petista foi… Bolsonaro! Vivemos num tempo político de miséria tão grande da esquerda que um idiota de direita consegue ser mais perspicaz!

Como falamos desde 2016, a esquerda deve sim lutar pela prisão de Lula. Não apenas porque ele é um traidor da classe operária. Enquanto pelego sindical, ele nunca foi um verdadeiro representante dos interesses históricos da classe operária. Assim, a rigor, Lula nunca traiu a classe. A esquerda de verdade deve lutar pela prisão de Lula porque provas não faltam. Deixá-lo livre é reforçar um Estado que só serve para a elite burguesa; que só encarcera a classe trabalhadora, enquanto os poderosos burgueses fazem farra com dinheiro do povo. Deixá-lo livre, por isso, é suspender de vez qualquer regra minimamente democrática, abrindo caminho para ausência absoluta de lei.

Dado o caráter dos petistas, alguém duvida que usarão a ausência de lei para interesses populistas privados e autoritários?